segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cartilagem Articular


É uma estrutura resistente e elástica que recobre a superfície dos ossos que compõe uma articulação. Dependendo da articulação sua espessura varia de 0,9 mm a 5,0 mm e ela é tanto mais espessa quanto maior for a solicitação articular.
A cartilagem articular, também conhecida como cartilagem hialina (CH) tem uma composição bastante conhecida, sendo que os seus principais componentes são os colágenos, entre eles o tipo II, IX, e XI, responsáveis pela resistência da CH, os proteoglicanos principalmente as glicosaminas e condroitinas, responsáveis pela elasticidade da cartilagem articular, os condrócitos que são as células responsáveis pela formação de todos os elementos da CH. Todos estes elementos estão mergulhados em água, sendo ela responsável por 85 % do peso de uma cartilagem articular.
As funções principais da cartilagem articular estão relacionadas ao deslizamento das superfícies articulares entre si de uma maneira suave e sem atrito, ao suporte de pressões pelas articulações e a distribuição uniforme das pressões intra-articulares.
Biológicamente as CH não são vascularizadas, o que explica a sua incapacidade de cicatrização, e não são inervadas, daí serem estruturas indolores ao toque e/ou lesões anatômicas diversas.
As lesões traumáticas ou reumáticas sobre as cartilagens hialinas levam a uma diminuição da proteção do osso que se encontra sob ela (osso sub-condral), estrutura essa inervada e sensível a pressões e impactos, resultando em dor articular , limitação funcional e nos casos mais acentuados até a fusão dos ossos da articulação (anquilose) com perda total do movimento .
Lesões traumáticas de cartilagem hialina podem ocorrer em situações de fraturas articulares , micro traumas de repetição(esporte de grande impacto,desvios de eixo da articulação , obesidade etc.) ou mesmo sem causa conhecida como em algumas doenças próprias da CH como osteocondrite dissecante e necrose avascular.
Lesões reumáticas da CH ocorrem principalmente na osteoartrose e artrite reumatóide que podem ser explicadas por fatores mecânicos , genéticos, ou auto-imunes. Nestes casos tem uma evolução própria e quando não tratadas a tempo levam a sérias conseqüências com limitações funcionais importantes e perda da qualidade de vida dos pacientes.
Na articulação do joelho as lesões de cartilagem, também chamadas lesões condrais, podem ser causadas por qualquer uma das razões já citadas anteriormente, e o diagnóstico deste tipo de lesão é feito inicialmente por uma estória e exame clinico detalhados, pelo exame radiológico simples que nos casos mais avançados de lesão condral (osteoartrose), pode mostrar diminuição dos espaços articulares, desvios de eixo dos joelhos, áreas de cistos abaixo da cartilagem etc. Nas lesões condrais focais, pequenas ou decorrentes de patologias próprias da cartilagem, a ressonância nuclear magnética é o exame por imagem que melhor confirma o diagnóstico e principalmente orienta uma conduta terapêutica e o prognóstico da lesão.Uma vez feito o diagnóstico de uma lesão condral no joelho, o seu tratamento se impõe e deverá ser feito de acordo com a extensão da mesma. Nos casos de osteoartrose onde as lesões são extensas e completas o tratamento deve inicialmente ser conservador, através de antiinflamatórios e analgésicos, que podem ser de uso sistêmico ou local dependendo da resposta e gravidade da lesão e basicamente de medidas fisioterápicas que devem procurar aumentar o grau de movimento da articulação acometida através de exercícios de alongamento, melhorar o suporte muscular da articulação através de exercícios com carga moderada e principalmente orientação ao paciente quanto ao seu controle de peso e quanto as seus limites nas atividades físicas esportivas.
O tratamento cirúrgico para a artrose do joelho está reservado para os casos que são extremamente dolorosos e limitantes e não respondem ao tratamento conservador. Dois tipos de tratamento cirúrgico podem ser adotados: As osteotomias que visam corrigir o eixo do joelho e com isso distribuir melhor as cargas no mesmo, poupando a superfície articular lesada ou as artroplastias que visam substituir parcial (prótese unicompartimental) ou totalmente (prótese total) as superfícies articulares acometidas. Os três tipos de tratamento cirúrgico tem indicações precisas e específicas ficando a cargo do cirurgião do joelho a decisão final por um ou outro tipo de técnica.No caso de lesões condrais focais, pequenas e bem definidas é importante também o seu tratamento, pois podem evoluir para lesões extensas (osteoartrose) em curto espaço de tempo.
O tratamento medicamentoso para estas lesões é ainda duvidoso e se baseia no uso de suplementos alimentares (glicosaminas e condroitinas) associados a fisioterapia, sendo que o uso desta conduta é inconclusivo..Em casos selecionados se propõe o tratamento cirúrgico visando restaurar a cartilagem comprometida, e isso pode ser feito por microfraturas da área lesada, enxerto de tecido osteocondral para esta área ou mais modernamente pelo transplante de condrócitos retirados do próprio paciente, cultivo destas células em laboratórios de biologia celular, o seu enxerto na área a ser tratada. Todos estes procedimentos quando bem executados levam ao preenchimento da área lesada por um tecido com características biológicas inferiores a cartilagem normal, sendo que o transplante de condrócitos é o que resulta em um tecido mais próximo da cartilagem original.
Por sua importância como a responsável pela qualidade funcional de uma articulação durante toda a nossa vida é fundamental que se tenha um cuidado especial com a cartilagem articular, evitando-se grandes aumentos de peso corporal, praticando-se esportes dentro de um limite que não exceda a sua capacidade de amortecimento e que com o passar do tempo se adapte as atividades físicas ao envelhecimento fisiológico da articulação.

Fonte: www.grupodojoelho.com.br

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